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Viver Consciente ou em Piloto Automático

Já deu por si a pensar que a vida umas vezes parece-lhe estar alinhada e noutras tudo se apresenta confuso e dissonante, deixando-o num estado de caos total? Ou que sistematicamente se repetem determinados padrões de acontecimentos, sem que perceba o que o provoca? Grande parte das vezes, isto tem origem no grau de consciência a partir do qual está a viver a sua vida.

As definições sobre aquilo que é a Consciência apontam para a capacidade de se estar ciente de algo, de se saber bem, e sem sombra de dúvida, acerca de alguma coisa. Consciência implica capacidade para se ter noção das próprias ações, bem como dos sentimentos que motivam a sua execução e, numa perspetiva moral, a certeza de que umas atitudes estão certas e outras erradas.

Subjacente às ideias decerto ou errado encontram-se os valores — conjunto de normas ou princípios que definem aquilo que é absolutamente verdadeiro para alguém e que, entre outras coisas, estão na base das nossas escolhas e decisões, são responsáveis pelos nossos estados emocionais, variam consoante o contexto e estão intimamente ligados à noção de identidade. É importante ter em conta que os valores mais essenciais são formados na infância e são por isso, muitas vezes, inconscientes. Muitos outros são formados porque nos ajustámos a determinados modos de estar ou pensar e esquecemos que os podemos questionar e escolher mantê-los ou não.

Vamos desenvolvendo a consciência à medida que vamos aprendendo e dominando a capacidade de satisfazer as nossas necessidades. A um nível mais básico, procuramos garantir a capacidade de sobrevivência — física e financeira — e mantermo-nos emocionalmente seguros através da criação de relacionamentos harmoniosos que nos garantam um sentimento de pertença e proteção. Passamos depois a focar a consciência no sentido de autoestima e sensação de valor pessoal; se estas necessidades não são satisfeitas, na medida das expectativas pessoais e sociais, surgem ansiedades que remetem para a insegurança e a rejeição.
Posteriormente, passaremos para um estágio de individualização, em que o foco está no crescimento pessoal, no desenvolvimento de características como a autonomia, a adaptabilidade, a coragem, a responsabilidade e a liberdade. A dado momento, iremos perceber a importância do alinhamento e da coesão interna e iremos procurar forma de sermos e vivermos de verdadeiramente autêntico. Começará, de seguida, a despontar o objetivo de fazer parte de um todo maior e, para fazer este tipo de integração, será necessário desenvolver a capacidade de abertura a parcerias e oportunidades de colaboração.

Depois que todas estas aprendizagens se encontrem assimiladas, teremos a possibilidade de nos dedicarmos ao serviço ao próximo, com vista ao legado que será deixado às gerações futuras. Dedicação, humildade e compaixão serão os valores dominantes.

Ao compreendermos a importância dos valores como algo imprescindível para vivermos de modo consciente, percebemos que precisamos parar de viver a nossa vida em piloto automático. Se quisermos manter a paz interior, que vem da capacidade de fazer escolhas coerentes com os nossos princípios, podemos começar com alguns momentos de introspeção e fazermos as seguintes perguntas:

— Será que vivo de acordo com os valores que são realmente os meus ou vivo de acordo com os valores que penso que preciso ter?

— Vivo de acordo com aquilo em que verdadeiramente acredito ou faço-o através dos valores que me foram passados pela família, amigos, sociedade? Quero mantê-los?

— Os meus valores têm na base o medo? A insegurança?

Se existem conflitos ou discrepâncias entre os valores, há que perceber de que modo eles estão a afetar as diferentes áreas da vida, pois será nelas que os maiores problemas irão surgir.

Se os valores se encontram alinhados com a consciência, a tomada de decisões é mais fácil e produz sensações de certeza e segurança. Por outro lado, a falta de alinhamento entre aquilo que se valoriza e aquilo que decorre das ações pode resultar em emoções negativas como a culpa, o remorso, o ressentimento ou a frustração. Para criar congruência, pode ser necessário algum trabalho mais especializado, no entanto, tudo começa com a tomada de consciência.

 
 
 
Novembro, 2019 Revista Progredir nº 94

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