Impermanência
Junho 12, 2018
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Astrologia

A Astrologia, enquanto linguagem simbólica, dá-nos a conhecer as dinâmicas que operam dentro de nós. Os planetas, tal como os deuses das antigas mitologias, representam arquétipos - forças e princípios vivos em nós e no inconsciente colectivo da humanidade, suficientemente subtis para que possam ser compreendidos de forma imediata e racional - e a forma como interagem serve como um modelo de orientação para a vivência individual e também colectiva, de cada ser humano.

No entanto...nem sempre assim foi. A Astrologia começou a ser estudada há cerca de 5.000 anos e remonta à época da antiga Mesopotâmia. Nesses tempos, a sua utilidade residia principalmente na observação dos céus para predição dos destinos dos reis, enquanto representantes dos destinos do povo. Só mais tarde, no fim da época Babilónica, pouco antes da chegada de Alexandre, o Grande, os astrólogos começaram a conseguir utilizar formas de aplicar a Astrologia aos indivíduos - e uma dessas formas foi a possibilidade de conhecer aquilo que hoje é tão comum qualquer um de nós saber: o Ascendente, então chamado de "o vigilante da hora" ou horoscopos em grego - o signo e o grau que marcam o momento, o lugar, a porta de entrada de um ser humano neste mundo.

O Tema Astrológico, ou Horoscopo, como passou a ser chamado a partir da Renascença, é assim, a fotografia do Céu registada no momento da nossa primeira inspiração. Nesse momento, passamos a relacionar-nos, enquanto seres autónomos, com o Todo Maior, do qual somos microcosmos. Os planetas, os signos, as casas, a sua disposição no tema do nascimento e o modo como se ligam entre si, informam dos padrões básicos da relação do indivíduo com o Universo, do qual faz parte.

Utilizada como um instrumento para o autoconhecimento e compreensão das realidades mais ou menos inconscientes, a Astrologia, ao colocar-nos no centro do palco da nossa vida, permite-nos a visão das nossas qualidades, das nossas necessidades e potencialidades, tensões, bloqueios, medos e mecanismos instintivos que tantas vezes nos condicionam.

E porque estamos em constante relação, connosco e com tudo o que nos rodeia, e porque fazemos parte desse Todo, podemos observar que, relacionando o eterno movimento dos planetas no Céu com o tema astrológico, temos a possibilidade de compreender e actualizar as propostas que a vida tem para nós. Poderemos assim entender o propósito por detrás de cada crise, a oportunidade de crescimento em direcção à nossa verdadeira identidade, em quem nos poderemos tornar quando activa, consciente e responsavelmente cuidarmos, integrarmos e honrarmos todas as partes de nós.

Passaremos então de seres passivos, sujeitos às influências que nos rodeiam, a Seres co-criadores do Universo, em harmonia com as leis que o regem.
 
 
 
Abril 2016, Revista Progredir

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